Como mencionei em post anterior, comecei nas redes sociais uma espécia de diário sobre o que estou sentindo e vivendo nessa reta final da gravidez. Segue a primeira parte das reflexões:

03/03/15 – #dia1

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Hoje completo 36 semanas de gestação, ou seja, estou entrando no nono e último mês. E para viver intensamente esses últimos dias e quem sabe, compartilhar as dores e as delícias desses momentos finais com outras gestantes, resolvi fazer uma espécie de diário digital nas redes sociais do blog. Começo hoje…
Nessa reta final, minha cabeça anda a milhão com tantas expectativas. Não sei se é bem uma ansiedade o que sinto, porque não desejo que o bebê nasça logo. Ainda tenho algumas pendências para resolver e realmente, quero que ele venha no tempo dele. Acho que o que mais anda pegando é o contrassenso entre a vontade que tenho de fazer mil coisas e o meu corpo já me lembrando de que é chegada a hora de cessar um pouco todas essas demandas. Enfim, vou tentando conciliar um pouco essas duas necessidades. Ora deito para ler um livro e assistir a um filme, ora organizo um armário e a mala do bebê. Ora sento para escrever no computador, ora arrasto umas caixas e limpo algumas gavetas. E assim nós dois vamos enganando o tempo enquanto não chega a hora do nosso tão sonhado e esperado reencontro.
Momento delícia do dia: quando sinto o bebê mexer intensamente (apesar de ficar com receio de que ele vire já que já está cefálico) e o meu corpo se preparando para a sua chegada. Sinto minha pélvis e tudo lá embaixo se abrindo e se alterando.
Momento desconfortável do dia: quando fico um tempo sentada e sinto muitas dores nas costas. Queria escrever mais, organizar algumas coisas sentada, mas a dor fica muito intensa e preciso perambular por aí.

04/03/15 – #dia2

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Ontem à noite teve despedida da minha barriga na minha aula de hidro/pilates para gestantes (quase meia hora de pilates voltado para as gestantes e 45 minutos de hidro). Fui pega de surpresa e quando minha fisio falou em despedida, me deu até um negócio. Confesso que ando super apegada à barriga, muito diferente do que aconteceu na minha primeira gravidez. Se quando eu descobri o diagnóstico da Diabetes Gestacional, quase surtei, hoje agradeço a ele (e à minha dedicação, claro, como me lembraram algumas amigas no domingo já que só a DG não significa um cuidado maior). Acho que por conta dessa condição, vivi uma gestação extremamente saudável e senti todos os benefícios disso. Não inchei, engordei só nove quilos (porque no começo engordei dois por mês – desde dezembro mantenho o MESMO peso na balança e o bebê cresce normalmente) e vivi a cada restrição, a relação intensa e direta que existe entre mamãe e bebê.
Ainda ontem à tarde, antes de saber da despedida, enquanto me arrumava para a hidro, resolvi tirar algumas fotos para registrar esses últimos momentos. Pode ser excesso de vaidade, mas prefiro enxergar como um empoderamento. Estou me achando mais bonita do que antes de engravidar. Na outra gravidez, além de ter engordado bastante, era insegura e não entendia o poder que gerar um filho confere à mulher. Agora estou me curtindo, me amando e admirando meu barrigão.
Acho que esse é outro fator para eu estar na expectativa e não na ansiedade da espera. Minha vida é interessante para além da gravidez e quero curtir cada instante antes do bebê chegar.
Momento delícia do dia: hoje tenho uma consulta em casa com a minha fisioterapeuta (a mesma que dá a hidro), aonde ela me ensinará a trabalhar meu períneo corretamente para o parto natural e me apresentará o aparelho Epi-no para treinar o expulsivo.
Momento desconfortável do dia: tive ontem e hoje algumas cólicas chatinhas, tipo menstruais e precisei desacelerar. Mas já melhorei, já fui na drenagem, no mercado, levar o cachorro para tomar banho…vida normal!

05/03/15 – #dia3

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Sei que nem todas as mulheres que engravidam são casadas ou continuam a relação com o pai do seu filho, mas hoje vim falar da ligação entre as minhas experiências e o meu casamento.
Quando engravidei do meu primeiro filho, namorava meu marido há cinco meses. Sim, pensem na confusão. Não vou negar que decidimos morar juntos por causa da gravidez, mas hoje sei que filho não une ou segura casamento. Muito pelo contrário. O cansaço, o desgaste físico e emocional (não o filho em si) muitas vezes, afastam. Talvez por sorte, mas acredito que muito mais por amor, dedicação e objetivos em comum, eu e meu marido fomos construindo uma relação bacana entre muito sono, muitos imprevistos e muitos obstáculos. Mesmo com dilemas financeiros, profissionais, familiares e aqueles comuns da convivência diária, escolhemos permanecer juntos. Então, depois de três anos, começamos a pensar em ter um segundo filho. Como o primeiro não foi planejado, nessa segunda vez, queríamos estar um pouco mais preparados. Precisei resolver problemas de saúde e me organizar por conta da faculdade. Aí, na primeira e única tentativa, engravidei. Realmente, José Antônio estava querendo nascer! Durante esses últimos nove meses, mesmo que a gravidez tenha sido planejada, é claro que vivemos aquelas divergências de casal grávido. Às vezes, meu marido não entendia o meu cansaço, eu reclamava de falta de atenção e ele de tanto mimimi. Mas tudo bem normal. Nada que algum tempo de silêncio e alguma conversa não resolvessem.
Porém, o que eu quero vir falar hoje é que ontem tive uma prova de amor simples e uma comprovação de que essa gravidez e nossas escolhas conscientes só vem fortalecendo nossa relação como casal. Meu marido que há nove meses se arrepiava quando me ouvia falar sobre parto normal, agora entende praticamente tudo do assunto. Já separou a sua sunga caso role uma banheira, assiste a um parto vaginal de boa (cesárea ele não vê), se emociona bastante assistindo e ontem até assistiu um parto pélvico! Não riam, é sério! Acho lindo ver que o respeito dele pela minha escolha, se tornou apoio e um desejo compartilhado! Ele foi vencendo os seus receios, os medos pregados pelo senso comum e peitou junto comigo essa decisão. Como eu digo, como será o meu parto, só Deus é quem sabe, mas com tanta informação e confiança na natureza que adquirimos, mesmo que precisemos viver uma cesárea, ela será completamente diferente da primeira, assim como aconteceu com o nosso casamento. Ah, amanhã tem um mega texto sobre parto no blog. Aguardem!
Momento delícia do dia: visitar a maternidade (não o bloco cirúrgico porque esse eu frequentei cinco anos atrás) e as salas de parto com o meu marido. Todas estavam ocupadas, mas só de irmos até lá, deu um friozinho bom.
Momento desconfortável do dia: todo o desconforto de hoje está relacionado aos exercícios de períneo que aprendi ontem na consulta (ontem usei o Epi-no e amei a experiência) e à uma dor no púbis (acho que é esse o nome), já que meu corpo está se preparando para o grande dia. Lembrando que são desconfortos, nada de sofrimento!

06/03/15 – #dia4

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Como não é segredo para ninguém, estou me preparando para viver um parto natural, que seria o parto sem nenhuma intervenção (como anestesia, por exemplo). Na primeira gestação, não tive o prazer de entrar em trabalho de parto porque digo que minha médica, na época, roubou isso de mim com justificativas que hoje eu sei que eram meras desculpas. Não sinto raiva ou qualquer sentimento ruim ao perceber que me deixei levar ao confiar nela porque entendo que as escolhas que fiz naquele momento, no alto dos meus 23 anos, eram as que eu dava conta, mas aproveito essa segunda chance para fazer TUDO diferente. Mesmo que eu precise viver uma segunda cesárea (e não uma desnecesárea), a preparação será diferente, as escolhas serão mais conscientes, o processo mais manual e as intervenções do pós parto, também. Por isso, há dias venho escrevendo um super texto aonde coloquei tudo o que penso, o que venho conversando com pessoas da área, as informações que obtive e como estou me preparando para esse momento. Já aviso que ele não se trata de um julgamento das escolhas alheias, mas uma espécie de auto organização e informação para quem como eu no passado, sabia muito pouco sobre o assunto. Venho percebendo que estudar e refletir sobre esse tema vem me transformando como pessoa.
Aprender a entregar, confiar no meu corpo, na natureza perfeita, na minha capacidade inata de parir, vem me tornando mais forte e mais íntegra. Compreender o casamento genuíno entre corpo & alma torna tudo mais fluído e mais completo, porque quando um é violado, como acontece em cesáreas agendadas, procedimentos padrões e desnecessários ou com mulheres que são desacreditas pelos seus médicos cesaristas, o outro também sofre. Desculpem se estou repetitiva nesse assunto, mas ao contrário de muitas mães que se preocupam mais com a decoração do quarto do que com o modo como o seu filho virá ao mundo, quero aproveitar esse meu espaço para colocar em perspectiva a maneira como estamos tratando esse momento tão importante. Vejo que essa fuga de tocar no assunto é apenas reflexo da fuga que algumas mulheres têm de repensarem as suas vidas num modo geral. E como eu sou apaixonada pelo universo feminino, pelo resgate da nossa alma selvagem e por esse empoderamento, aproveitei a minha busca, o meu momento para levantar todas essas questões.
Então, para os interessados, fica a dica do post de hoje no blog, intitulado “Sobre parto, empoderamento e superação.
Momento delícia do dia: sentir um filho na barriga agitado, no dia da festa de aniversário do outro.
Momento desconfortável do dia: meu carro querido, alto, leve e cheiroso estragou feio e vai alguns dias até ficar pronto. Já estou com um substituto, mas nessa fase precisava tanto do meu haha. Momento apego, eu sei. (Foto de agorinha. Aproveitei para cortar a juba e ficar escovada para o aniver do filho).

07/03/15 – #dia5

11054487_923946344316447_2583611713416185257_nOntem comemoramos o aniversário do nosso filho mais velho e mais uma vez me perguntaram bastante sobre como ele está em relação ao irmão que está para chegar. Por enquanto, não houve qualquer manifestação de ciúmes ou incômodo, muito pelo contrário, ele pedia muito um irmão e é o mais empolgado com a ideia. Lógico que depois que o irmão nascer, ele sentirá alguma diferença já que há cinco anos reina absoluto nas duas famílias, mas acredito que não será nada difícil de contornar. Nossa família levará um tempo para se organizar com um novo integrante porém, é tanto amor envolvido que tudo ficará bem. Fora que tenho convicção de que tudo depende do modo como os pais conduzem a situação. Já vi cada cena de pais colocando, mesmo sem querer, um irmão contra o outro, comparando, criando conflitos, que é de ficar apavorada. Logicamente que em algumas situações eu irei errar e tudo bem, mas num panorama geral irei me dedicar para que eles construam um laço saudável e respeitoso. Enfim, logo saberei como será e escreverei sobre o assunto. Até lá, não me deixarei assustar pelos pessimistas de plantão.
Momento delícia do dia: fazer minha caminhada do dia indo almoçar a pé e depois ir a pé também, tomar um café num lugar que adoramos (isso me lembra muito os Jardins em SP – lugar que AMO).
Momento desconfortável do dia: a dor nas costas do agito da festa de ontem. As pessoas brigam comigo porque não paro quieta, mas juro que agora vou me comportar!

08/03/15 – #dia6

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Hoje eu já falei sobre ser mulher, sobre coragem e agora, no meu mini diário de gestação, aproveito para unir esses dois assuntos. Só aproveito para deixar claro, talvez você não concorde comigo, que eu não acredito que todas as mulheres desejam ser mães e nem no tal instinto materno (pais adoram essa desculpa). Acredito numa construção cultural e num amor que surge quando desejamos e nos descobrimos acolhedoras de um (ou mais) pequeno ser. Também não concordo quando dizem que ter filhos é a maior e melhor experiência da vida de uma mulher e nem que a maternidade é o que as define. Porque penso que as mulheres devem estar além de qualquer condição (como ser mãe), definição (como dizer que todas são mãezonas) ou estereótipo (como generalizar que todas são sensíveis). Sim, tornar-me mãe me fez uma mulher mais feliz e mais inteira, mas essa sou eu. Me acho mais bonita, mais confiante e mais forte desde que a maternidade se tornou uma área da minha vida, mas sei que nem todas as mães trilharam esse mesmo caminho.
Com relação à coragem, hoje venho lembrar as mamães que passados os primeiros meses em que o bebê precisa mesmo de muita dedicação, você deve retomar a sua própria vida. Aos poucos, mas não se esqueça de você. Solicite a ajuda dos parentes, a integração do pai e saia para fazer o que você gosta e precisa. Pode ser praticar um exercício físico, não por estética ou para mostrar para ninguém que você é Cláudia Leite, mas por saúde mental, fazer a unha, assistir a um filme…qualquer coisa que te deixe feliz e que seja PARA VOCÊ! Pense que quanto mais inteira e plena você se sentir, uma melhor mãe você será. Deixar um pouco o seu filho para cuidar de você, significa que você se ama e por isso, está livre e disponível para amar o seu filho!
Momento delícia do dia: almoçar na sogra e ser incentivada a descansar e não fazer nada haha. Sentirei saudades dessa folga justificada.
Momento desconfortável do dia: não poder comer os docinhos que sobraram do chá e do aniversário por causa do diabetes haha.

09/03/15 – #dia7

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Só escuto “Juliana, para um pouco, desacelera” e eu JURO que queria, mas não tenho ninguém que possa fazer o que eu preciso fazer, entendem? Hoje meu filho mais velho tinha exame, eu precisava buscar as lembrancinhas, ir na drenagem. Daí eu tinha que ir conversar pessoalmente com o professor da natação da escola do João pra tentar uma vaga pra ele…e consegui. Então, corri para o shopping comprar roupão, touca e óculos (aí já comprei o top para o parto e fui no mercado), fui em casa pegar sunga e chinelo, corri para deixar tudo na escola e por fim fui esperar a van no clube para recebe-lo! Ufa. Fora a adrenalina já que ano passado ele tentou fazer natação, bloqueou e nunca mais quis voltar. Deu tudo certo, mas estou E-X-A-U-S-T-A (sabem vontade de chorar de cansaço?). Porque aí teve banho, ida para casa, janta e ainda terminei uns detalhes do quarto do bebê. Viram? Como posso desacelerar? Minha agenda essa semana está mega lotada! Para quem vem brigando comigo, aviso que estou me programando para desacelerar semana que vem (rezo para não entrar em trabalho de parto depois de um dia desses porque meu corpo já estará cansado). Ok, sem mimimi, sei que a maioria das grávidas não tem estagiária, mas desabafar alivia, né? Garanto que quando eu estiver presa em casa sentirei falta de todo esse movimento. Para me ajudar, hoje sentei e listei TODAS as pendências que ainda me assombram quando penso que logo entrarei em TP e precisarei desacelerar na marra! Fora que tenho que agradecer que com 37 semanas estou esbanjando saúde, dirigindo sozinha para lá e para cá e meu baby está 100%! Amanhã tem ultrassom, suco com a fotógrafa do parto, supermercado, pilates/hidro (fora as voltinhas extras e inesperadas)…e vamos que vamos!
Momento delícia do dia: minha drenagem que me obriga a ficar uma hora parada.
Momento desconfortável do dia: pingar de loja de departamento em loja de departamento atrás de um roupão infantil e precisar parar várias vezes pelo desconforto lá na região inferior.Foi foda! (Na foto, muita água gelada e a trilha sonora do parto para me conectar com o filho no meio da correria).

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